quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

[HISTÓRIA] Os meios são inícios e fins - Maria Eduarda Oliveira



     Olá pessoal, hoje estou aqui para fazer algo diferente. Sim, diferente. Na primeira publicação do ano aqui no blog o texto publicado é meu, a partir de observações minhas, feito com meus livros (leiam o post até o fim e saberão o que eu digo kkkk) e por fim construído de forma puramente instintiva. Tive a ideia de falar um pouco sobre algumas fases das nossas vidas a partir de livros que eu já li ou vou usa-lós para ser exemplo do que eu conto. 
      Nesse texto espero que vocês, leitores, consigam enxergar além do que vivem, que possam rever suas lembranças mais antigas, que possam projetar o futuro da forma mais real e particular possível. Embarquem comigo na viagem e curtam o que de melhor cada um carrega, recordar é viver e planejar é o que nos mantém com sonhos.


        A infância, para muitos a melhor fase da vida. Uma época em que tudo é brincadeira, tudo é motivo para um sorriso, quando toda lágrima logo é curada com afeto ou um mimo secreto. Parte da nossa vida que talvez aconteceram as aventuras mais surreais, como em Algum lugar nas estrelas, que nós nos juntamos com irmãos ou amigos para desbravar lugares secretos que só existem nas nossas imaginações. É na infância que encontramos combustível para todos os dias inventar uma nova diversão, algo que nos distraia e nos faça viver nos limiares da vida (o famoso vivendo perigosamente), mesmo que depois acabe numa confusão daquelas e com as intrigas que duram algumas horas ou até inventar algo novo para fazer. 
       Trocar experiências com os colegas na escola, fingir ser forte quando cai e rala alguma parte do corpo, emfim, viver intensamente cada segundo da sua existência apenas sendo feliz sem se preocupar com absolutamente nada, sem nenhuma obrigação, atribulação ou qualquer outra aflição da vida adulta. Não podemos deixar de contar sobre a infância daqueles que apenas passaram por este estágio da vida, mas que nada de bom levaram, que restaram marcas perduradas pela vida e que o peso das responsabilidades chegou cedo demais para que eles aproveitassem a provável experiência de ser tanto em um só ser. 
     Em O boticário nos vemos muito disso, uma criança sendo muitos em apenas um único: desbravador, espião, mestre em poções, herói, companheiro e ainda sim uma criança. Quando lemos A história sem fim notamos nitidamente tudo o que contei, mas de uma forma alusiva e totalmente irreal, se inserindo dentro de duas histórias ao mesmo tempo.
       A juventude/adolescência, essa é o início das fases mais complicadas para os pais, época em que todo mundo quer ser dono de si sem ter o mínimo de percepção do que seja realmente o mundo e a nossa sociedade. Eita que essa é a parte da vida que nós damos menos ouvidos aos conselhos e fazemos as nossas próprias vontades. Será que foi o melhor? Será que as decisões que tomamos com todas as dúvidas que tínhamos no momento foi realmente uma boa escolha? "Bancar"  o autossuficiência te deixou feliz? 
      É justamente nessa parte das nossas vidas que exige de nós calma, e também é quando menos temos ela conosco, um período longo de tempo que a depender da pessoa perdura até ela se dar conta de que está na vida adulta. Convivemos com problemas pessoais, morais, familiares e tantos outros que vão sendo acumulados a cada dia que passa. No livro Quinze dias podemos notar um pouco das oscilações emocionais de tantos jovens espalhados pelo mundo, como os dilemas internos não nos deixa prosseguir por onde sabemos ser nossa felicidade. A playlist de Hayden é outro exemplo que infelizmente vem sendo cada dia mais comum acontecer, a falta de crença em si para viver, mas no entanto é o sujeito que pode sim fazer diferente. 
     Claro que na adolescência nós não deixamos de sonhar ou de nos divertir, obviamente não, marcamos aquela social com os amigos para jogar conversa fora, vamos para alguma festa dançar muito e fazer a noite ser a última. O princípio dos amores "eternos", aqueles que achamos ser para a vida inteira, que nós nos apaixonamos e achamos ser tudo real o que era idealizado lá no início, aí o tempo passa e a gente conhece melhor as pessoas, algumas vezes a decepção vem junto e para isto o melhor livro sobre uma superação divertida é Não se apega, não. Em outras a gente realmente vive todo o amor que temos, outras vezes ainda acontece algo no meio do caminho que deixa a gente de queixo caído e realmente pode dizer que encontrou alguém para a vida toda, como acontece em P.S. Eu te amo
       Os doze signos de Valentina nós choramos com ela, rimos junto de todas as (des)aventuras que ela se propõe a viver por amor, para encontrar o quase inalcançável príncipe encantado. Aí o que acontece? A gente descobre que ele não existe e o que amamos são pessoas reais, cheias de defeitos assim como nós e que no fim das contas a nossa meta nem era encontrar o homem mais maravilhoso do mundo, e sim aquele que apesar de qualquer coisa (qualquer coisa mesmo: brigas, diferenças, ciúmes, etc) faz de tudo para ter você ao lado dele, quer você para dividir a vida, como é notável em O teorema Katherine
       É engraçado pensar em fatos tão corriqueiros da nossa vida com a vida de personagens que nem ao menos existem, não é? Mas se a gente para pra pensar as pessoas por detrás de cada história dessa é alguém que viveu e vive todas essas fases da vida também, eles carregam para a narrativa, mesmo que sem intenção, uma parte da sua história e divide com milhões de desconhecidos. 
        Aí a gente chega onde? Na vida adulta. Os problemas cessão? NÃO, definitivamente não. Alguns ficam mais complicados, outros são esquecidos e por último mais não menos importante, aqueles que são finalmente solucionados! Quando pega um livro como O livro dos ressignificados... sinceramente não vejo palavras para definir a leitura. As reflexões que perduraram toda a trajetória das nossas escolhas agora são colocadas diante de nós, aquele misto de sentimentos e emoções diversas. Quando nos chocamos com uma definição tão precisa e real da realidade do sentimento. Um outro volume que demostra bem as dificuldades de conseguir alcançar os objetivos pessoais diante de alguma deficiência (embora para mim todo o andamento do livro independe de qualquer deficiência) é Surpreendente
          Essa parte da vida é aquela pela qual na infância a gente tanto deseja, que na adolescência é sinônimo de poder: poder fazer o que quer, poder realizar todos os sonhos e poder ter exatamente tudo o que quiser ou até mais. Quem já é adulto sabe que não é assim, que a vida em si acaba se tornando um pouco complexa demais e daí criam-se as crises existenciais, as doenças psicológicas e a bagagem de atribuir todas as suas conquistas (boas ou ruins) unicamente as suas escolhas lá do início. Um bom livro para descontrair e perceber alguns desses desafios seria O lado bom da vida, apesar do título as personagens vivem em um constante conflito pessoal que só acaba quando realmente se dispõe a viver para si. 
          Para as mulheres empoderas e quem sabem disso, mas também as todas as mulheres que ainda não se deram conta do seu poder e força perante a sociedade eu indico os enigmáticos e engraçados dilemas, escolhas e cotidiano do livro Lorena - sem filtro nem ponto final, exemplar que trás a mulher como o centro desses problemas pessoais nos quais ela mesmo se coloca e sabe sair de cabeça erguida depois de tomada suas decisões.
        Chegando ao final de um ciclo nos temos a terceira idade, como adquirimos o hábito de chamar. Essa parte da vida eu não tenho tanta propriedade para falar, mas sei o quanto aprendi com todos aqueles que me ensinaram sobre a própria vida, sobre como as histórias antigas são legais contadas por eles e como os idosos tem o poder inquestionável de rever todas as outras épocas da vida sem ao menos pestanejar. 
     São eles os "gurus" do nosso dia a dia e por isso valorizá-los é tão importante, eu costumo compará-los aqueles livros grandes que em uma página só conseguimos ver uma fotografia enorme e uma pequena descrição em algum espacinho da folha, as imagens são as suas memórias, tudo o que viveram até chegar o dia de nos contar, a descrição a pequena parte que por mais que eles nos contem o que passaram não chega nem perto do que realmente sentiram. 
       Outra boa indicação apesar de ser protagonizada por uma criança é A menina que roubava livros, a narração interessantíssima da morte personificada de uma alma falante e detentora de um senso racional incrível, digo este livro pois a impressionante desfeita que muitos (no entanto não são todos) idosos têm pela morte me fascina, é como se a vida já tivesse sido tão completa apesar de tudo, que o fato de não viver mais neste mundo não os abalasse de maneira nenhuma. 
        Por isso eu sou convicta de que os meios são inícios e fins. Como? São pelos meios que vivemos e pelos meios das nossas vidas que se constroem simultaneamente o início de tudo o que decidimos e os fins de tudo o que praticamos.

                                                              FIM 


Espero que gostem do texto e das indicações, 
espero vocês no próximo post.
Até mais!!!